Pesquisadoras e pesquisadores da Rede Nacional de Trabalho e Educação na Saúde (Retes) reuniram-se nos dias 02 e 03 de setembro, no Rio de Janeiro (RJ), para discutir o desenho de uma agenda comum ao GT Trabalho e Educação na Saúde da Abrasco e à rede. O encontro ocorreu durante sessão científica para apresentação do diagnóstico sobre as relações de trabalho nos modelos de gestão alternativos à gestão direta do Estado no SUS, pesquisa conduzida pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) e o Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz/PE), com apoio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES/MS).
Coordenadora do GT da Abrasco e vice-coordenadora da Retes, Márcia Teixeira (ENSP/Fiocruz) apresentou a linha do tempo do GT, criado em 1994, destacando publicações, eventos e articulações ao longo dessa trajetória. Para a pesquisadora, o trabalho em rede e em parceria com outros GTs ajuda a pensar melhores políticas para o campo da gestão do trabalho e da educação em saúde. “Trabalho e Educação transversalizam os GTs da Abrasco e a rede pode articular um diálogo potente e necessário entre diferentes instâncias”, ressalta.
Nesse sentido, a professora defendeu a importância de construir estratégias de comunicação com a sociedade, colocando trabalhadores e trabalhadoras no centro do debate, sempre em conexão com os compromissos com a Reforma Sanitária Brasileira e o SUS público e universal. “Vemos a rede como espaço de potencialidades, de trazer propostas que possamos trabalhar de forma mais articulada. Rede também é uma estratégia de defesa e fortalecimento do campo”, explica.

Na avaliação de Isabela Cardoso (ISC/UFBA), coordenadora da Retes e do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS), espaços como o GT e a rede integram, fortalecem e permitem lutar e resistir em conjunturas mais desafiadoras. “Essa é uma rede das redes. A essa rede se incorporam sujeitos individuais, coletivos e outras redes para somar a esse processo, pensando politicamente algo que congregue, que ajude a nos manter unidos. Queremos que essa rede tenha interferência nas políticas públicas e no SUS”, enfatizou.
Neste âmbito, um aspecto considerado central é a horizontalidade da rede, que além de uma decisão política, precisa estar inscrita em dispositivos como documentos de governança, fluxos de decisão e ferramentas de comunicação que sustentem essa simetria na prática.
Entre as potencialidades da iniciativa discutidas durante o evento estão a articulação entre academia, serviços e movimentos; a ponte entre produção de conhecimento e intervenção; a cooperação entre grupos e territórios; a construção de agendas coletivas compartilhadas; o fortalecimento dos vínculos; e a translação do conhecimento. “Temos que ter produtos que reverberem nas políticas públicas, que tenham um sentido e um significado para as políticas. A própria formulação dessas questões é um debate político, teórico e metodológico”, sublinha Isabela Cardoso.

Sobre a Retes
Desenvolvida pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), com apoio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (SGTES), a Rede Nacional de Trabalho e Educação na Saúde (Retes) foi lançada durante o 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva – Abrascão, em dezembro de 2025. A iniciativa tem como objetivos identificar, sistematizar, dar visibilidade e promover o intercâmbio de experiências inovadoras no Sistema Único de Saúde (SUS).
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